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Solos e flores: aprenda e escolha as plantas certas
Autor: Gláucia de Oliveira Data: 31/8/2009

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ara que suas plantas exibam toda sua beleza e potencial paisagístico é de fundamental importância que você cuide do principal elemento para mantê-las bonitas e saudáveis: o solo. Ele é fundamental para a sobrevivência das plantas, pois fornece suporte, água e nutrientes para que elas possam crescer, se desenvolver e ostentar belas flores.

Os solos possuem diversas características que os classificam, veremos aqui algumas das que são mais úteis para a prática de jardinagem e paisagismo.

O solo possui inúmeras partículas de diferentes tamanhos, do tamanho maior para o menor temos: areia grossa, areia fina, silte e a argila. E é a proporção destas partículas no solo que define se ele será arenoso, argiloso ou siltoso, por exemplo.

O melhor solo para o plantio é aquele que possui textura média, ou seja, que possui tanto as partículas mais grossas, que propiciam uma melhor drenagem (não o deixando exageradamente úmido), quanto as mais finas, que possuem alta capacidade de retenção de nutrientes. No entanto, há espécies adaptadas a viver nos diferentes tipos de solos. Gerânios ( Pelargonium peltatum), rosas (Rosa x grandiflora) e papiros (Cyperus papirus), por exemplo, são espécies que se desenvolvem bem em solos argilosos, e conseqüentemente mais úmidos. Enquanto que ave-do-paraíso (Strelitzia reginae), petréia (Petrea subserrata), lanterna-chinesa (Abutilon striatum), malvaviscus (Malvaviscus arboreus), mussaenda-rosa (Mussaenda alicia), palma-brava (Opuntia vulgaris), antúrio (Anthurium andraeanum), madressilva (Lonicera japonica) são espécies que desenvolvem-se bem em solos arenosos.

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O solo também é o fornecedor dos elementos essenciais para as plantas. Elementos essenciais são os nutrientes que são necessários para a planta completar seu ciclo de vida. São reconhecidos como tais, 17 elementos. Dentre estes, oito são denominados micronutrientes, por serem requeridos em pequenas quantidades, são eles: molibdênio, níquel, cobre, zinco, manganês, boro, ferro e cloro. E os outros sete são denominados macronutrientes por serem requeridos em doses maiores: nitrogênio, fósforo, potássio (o famoso NPK, muito utilizado para adubar as plantas) enxofre, magnésio, cálcio, oxigênio, carbono e hidrogênio. Na falta de um desses nutrientes a planta poderá apresentar deficiências. Os sintomas mais comuns de deficiência nutricional podem ser observados no caule e nas folhas, como o crescimento raquítico dos ramos e folhas, morte localizada de tecidos (necrose) e amarelecimento das folhas devido à perda ou à reduzida formação de clorofila.

Outra característica do solo é o pH, sigla que significa potencial hidrogeniônico. É medido em uma escala de 1,0 a 14,0, definindo o grau de acidez ou alcalinidade do solo. Dessa forma, um solo com pH 7,0 significa que é neutro. Quando o pH está abaixo de 7,0, o solo é considerado ácido e é necessário fazer uma correção para o plantio utilizando-se calcário, e quando estiver acima o solo é considerado alcalino, e a correção é feita com sulfatos.

O melhor pH do solo para a maioria das plantas é em torno de 6,5, ou seja, ligeiramente ácido. Como por exemplos, as azáleas (Rhododendron simsii), camélias(Camellia japonica), alamandas (Allamanda cathartica, Allamanda blanchetii), flor-leopardo (Belamcanda chinensis), arbusto-de-neve (Breynia nivosa), manacá-de-cheiro (Brunfelsia uniflora), barba-de-barata (Caesalpinia pulcherrima), biri (Canna indica), gardênias (Gardenia jasminoides), dentre outras. No entanto, há plantas que preferem solos alcalinos, como as calêndulas (Calendula officinalis), alissos (Lobularia maritima), açucena-gigante (Crinum x powellii), capuchinha (Tropaeolum majus), primavera (Bougainvillea glabra var. graciliflora, Bougainvillea spectabilis), dentre outras.



E, como curiosidade, há as hortênsias (Hydrangea macrophylla) que além de crescerem em ambos os tipos de solos, funcionam como indicadores de pH, pois em solos ácidos suas flores ficam azuis, em solos com pH próximo do neutro exibem coloração creme e em solos alcalinos suas flores são cor de rosa.



Além disso, o solo é composto por uma diversidade de seres vivos que em condições naturais mantêm o equilíbrio do ambiente. As minhocas e as formigas, por exemplo, aeram a terra, que com maior porosidade consegue acumular ar necessário para o crescimento das raízes e melhora a drenagem do solo. Fungos e bactérias fazem o papel de recicladores, decompondo a matéria orgânica, ou seja, folhas, plantas e animais mortos devolvendo para o meio nutrientes que serão usados pelas plantas. E diferentes espécies de fungos e bactérias associam-se as raízes ajudando a planta absorver nutrientes essenciais para seu crescimento e desenvolvimento.

Devido à degradação do meio ambiente e conseqüentemente de nossos solos, temos que suprir todo esse trabalho complexo que a natureza faz tão perfeitamente. Uma vez suprimido um dos elos dos ciclos da natureza e perturbado o equilíbrio ecológico, temos a necessidade de colocar cada vez mais adubos químicos, agrotóxicos, inseticidas, dentre tantos outros produtos para suprir a carência que provocamos. O excesso destes produtos agride a natureza em todas suas formas, inclusive a nós que sofreremos as conseqüências de nossa própria ambição. Por isso, procure sempre aprender e se informar para melhorar o ambiente ao seu redor. A sua cooperação é fundamental para a conservação e a restauração da natureza!

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